terça-feira, 12 de setembro de 2017

Justiça bloqueia contas bancárias de criminosos investigados por ataques a ônibus e prédios públicos no RN

Em Mossoró, um ônibus foi destruído pelas chamas no bairro Santa Delmira (Foto: Alcivan Vilar/Fim da Linha)

Uma operação deflagrada nesta terça-feira (12) bloqueou contas de integrantes de uma facção criminosa que age no Rio Grande do Norte e pessoas ligados a elas. O grupo seria responsável, entre outros casos, pelos ataques a ônibus, carros e prédios públicos que aconteceu entre o final de julho e o início de agosto de 2016, em Natal e cidades do interior.

Segundo os investigadores, R$ 13.354.835,76 foram movimentados, entre os anos de 2015 e 2017, por meio de 102 contas bancárias.

Também foram cumpridos 40 mandados de prisão e outros 10 de busca e apreensão. A maior parte das ordens judiciais, entretanto, são contra pessoas que já estavam presas no sistema penitenciário do estado e vão responder por mais um crime.

Os mandados foram eviados para as penitenciárias estaduais Rogério Coutinho Madruga, e as de Parnamirim (PEP), do Seridó, a cadeia pública de Nova Cruz, cadeia pública de Natal (Raimundo Nonato Fernandes) e o Centro de Detenção Provisória de Macaíba. Os agentes e policiais ainda cumpriram ordens em residências nas cidades de Natal, Parnamirim e Macau.

A operação Consilium, que vem da tradução de Conselho, em latim, foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público , com o apoio da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Federal.

Segundo o MPRN, a investigação foi iniciada após a onda de ataques a prédios públicos, ônibus, carros, acessos ao aeroporto internacional Aluízio Alves e até ao morro do Careca - principal ponto turísticos de Natal - que ocorrida entre o final de julho e o início de agosto do ano passado.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed), foram registradas 107 ocorrências decorrentes de ataques provocados por integrantes ou simpatizantes da facção criminosa.

Durante a investigação, o MPRN ouviu testemunhas, colheu provas documentais, propôs medidas cautelares e conseguiu o afastamento de sigilo bancário dos investigados, que foram autorizadas judicialmente. Tudo isso resultou na obtenção de dados que corroboraram as evidências que embasaram a instauração da investigação, além de revelar a participação de novas pessoas e fatos para a investigação.

A operação Consilium tem por objetivo investigar o crime de constituir e integrar organização criminosa. A apuração descortinou também uma série de crimes praticados pelos investigados, tais como homicídios, comércio ilegal de armas de fogo, tráfico de drogas, roubos, lavagem de dinheiro, falsificação de atestado médico, entre outros. Esses crimes serão devidamente apurados pelas autoridades competentes após o levantamento de sigilo e compartilhamento das provas.


Pelo que foi levantado pelo Ministério Público durante a investigação da operação Consilium, dezenas de pessoas promovem, constituem, integram e financiam a facção criminosa, que é estruturalmente ordenada com divisões de tarefas e que tem por objetivo obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza mediante a prática de crimes. Para isso, eles se utilizam de armas de fogo, buscam participação de adolescentes e fazem conexão a outras organizações criminosas.

Domínio territorial

A investigação mostrou que a manutenção de domínio territorial em áreas denominadas “quebradas” é de extrema importância para os negócios ilícitos da facção. Esse domínio não implica necessariamente impossibilidade de circulação de pessoas ou a entrada da polícia. A atividade de compra e venda de drogas não tem interesse na diminuição do fluxo de pessoas. Pelo contrário, a aparente normalidade é fundamental para manter e angariar novos clientes.

Mas esse domínio se expressa no emprego do poder da violência para imposição de monopólio do comércio de drogas, assassinando os concorrentes e inibindo eventuais interessados em se estabelecer e impondo a “lei do silêncio”, com o que se dificulta a ação do Estado na elucidação dos crimes.

O elenco de “normas de conduta” nessas comunidades visando conquistar a simpatia da população vem a ser uma etapa de um programa de propaganda, tentando se desvincular notadamente de furtos e roubos, crimes que, em verdade, são fortemente potencializados pela presença da facção, tanto pela ação de viciados, como por ações orquestradas pelas próprias “bocas de fumo”, cujos crimes de tráficos e furtos e roubos se intercalam, ou seja, uma atividade estimulando e financiando a outra.

Flagrantes

Além do cumprimento de mandados, a operação Consilium prendeu em flagrante criminosos que estavam foragidos da Justiça. As prisões aconteceram no bairro de Mãe Luíza, na zona Leste de Natal. Hitalo Augusto de Araújo foi preso na casa dele com um revólver calibre 38, drogas e dinheiro.

O outro preso em flagrante é Nildemberg Azevedo Wanderley, o Guiguia. Além de responder por diversos crimes, ele ficou conhecido pela crônica policial potiguar após, durante um assalto a uma padaria no bairro de Petrópolis, atirar contra uma cliente. Essa mulher ficou paraplégica depois de ser baleada na coluna vertebral. Nildemberg, que à época ainda não tinha 18 anos, foi apreendido e cumpriu as medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente. Em julho do ano passado, ele fugiu da penitenciária estadual do Seridó e estava foragido desde então.

*G1 RN

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