quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Polícia identifica 35 números de telefone que receberam gabarito do concurso da PM TO

Comandante da PM regulamenta uso de armas para policiais — Foto: Lia Mara/Governo do Tocantins

A Polícia Civil concluiu nesta semana o inquérito que investiga fraudes no concurso da Polícia Militar. Os delegados encontraram 35 números de telefone que teriam recebido os gabaritos das provas, em março deste ano. Dentre estes, a polícia conseguiu identificar 16 candidatos até agora. Os investigadores ainda não descobriram de quem são os outros 19 números, pois muitos estavam cadastrados em nome de terceiros que não tiveram envolvimento com a fraude.

Além dos candidatos identificados, três pessoas foram apontadas como mentoras do esquema criminoso. Ao todo, 19 pessoas vão responder por associação criminosa e fraude em concurso público.

O G1 entrou em contato com a Polícia Militar, o governo do Tocantins e a empresa responsável pelas provas e aguarda resposta. O concurso está suspenso desde março.

As investigações começaram depois que um aparelho celular foi encontrado no banheiro de um dos locais de prova em Araguaína durante as avaliações. Depois disso, a polícia executou a operação Aleteia e prendeu 14 pessoas. Entre elas o homem que seria o mentor da fraude: Antônio Ferreira Lima Sobrinho, o Antônio Concurseiro.

A partir desta operação os policiais apreenderam celulares e documentos que levaram a outros envolvidos na fraude. Ainda de acordo com o relatório, os candidatos que participaram da fraude e foram identificados fizeram as provas em Palmas, Araguaína e Araguatins.

A investigação foi concluída na última segunda-feira (8) e enviada para a 1ª Vara Criminal de Araguaína, norte do Tocantins.

O esquema

O relatório da polícia apontou que o esquema funcionava da seguinte forma: os candidatos que estavam participando da fralde seguiam as orientações de Antônio Concurseiro e outros membros da quadrilha para entrar nos locais de prova e seguiam direto para os banheiros, onde escondiam os celulares.

O líder do grupo e possivelmente outros membros faziam as provas com documentos falsos. Depois, preparava o gabarito e enviava as respostas por SMS nos momentos finais de aplicação das provas. A mensagem era recebida por outros membros do grupo e repassada para os candidatos.
Imagens de gabaritos circulam nas redes sociais — Foto: Arte G1
O concurso

As provas do concurso foram aplicadas no dia 11 de março. Foram oferecidas 1 mil vagas para soldado e mais 40 para oficial da PM. Ao todo, mais de 70 mil pessoas fizeram as provas em 17 cidades.

O concurso também é composto por avaliação de capacidade física, avaliação psicológica, médica e odontológica e investigação social. A previsão inicial era que o resultado final de todas as etapas do concurso fosse divulgado em agosto deste ano.

O subsídio inicial durante o Curso de Formação de Oficiais é de R$ 4.499,52 e para o Curso de Formação de Soldados é de R$ 2.215,10.

Suspensão

O concurso da PM foi realizado em março deste ano, mas acabou sendo suspenso um mês depois, após a cassação do ex-governador Marcelo Miranda (MDB).

Durante as investigações, o delegado José Anchieta de Menezes afirmou que todo o concurso pode ter sido prejudicado. Após a aplicação das provas fotos dos gabaritos e das provas circularam nas redes sociais.

Depois disso, o Ministério Público emitiu uma recomendação para que o concurso não seja retomado. Naquela ocasião, o promotor Adriano Cesar Pereira das Neves afirmou que investigações também estavam sendo feitas pela polícia em Palmas e Arraias.

*G1 Tocantins

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